Desde 2010, uma série de encontros com artistas vem sendo organizada no MAC USP, em conjunto com o Grupo de Estudos em Crítica e Curadoria do Departamento de Artes Plásticas da Escola de Comunicações e Artes (ECA USP).
A convite de Tadeu Chiarelli, diretor do MAC USP, no dia 24 de abril, o Cine Água teve a oportunidade de apresentar as propostas com que vem trabalhando.
O encontro pode ser assistido aqui.
terça-feira, 1 de maio de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Netuno no vivo.arte mov
O vídeo Netuno, de Nelton Pellenz, está entre os 10 finalistas da 6a. Mostra Competitiva do Vivo arte.mov, que está sendo realizado em Belo Horizonte, MG, de 25 a 29 de abril.
Esta Mostra, com a apresentação de 43 trabalhos selecionados de todo o Brasil, faz parte de uma série de oficinas e palestras que compõem a programação do evento, e explora linguagens em sintonia com a mobilidade.
O vídeo Netuno, que recebeu menção honrosa nesta Mostra, pode ser visto aqui.
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sábado, 21 de abril de 2012
Marestesia no VI Prêmio Açorianos de Artes Plásticas
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| Convite da exposição Marestesia |
A Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Porto Alegre divulgou os indicados ao VI Prêmio Açorianos de Artes Plásticas.
A exposição "Marestesia", do Cine Água, realizada na fundação Ecarta em 2011, foi indicada na categoria Midias Tecnológicas. Dirnei Prates também concorre na categoria melhor exposição coletiva, com a mostra "Cartão de visita", com curadoria de Paulo Gomes, na galeria Gestual.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Exposição Fotografias Recentes
Dia 15 de março abriu a exposição Fotografias Recentes, minha individual na Fotogaleria Virgílio Calllegari, através do 1º Prêmio IEAVi, incentivo às artes visuais no RS.
Fotografias recentes
Desde 2007, venho trabalhando com fotografias e vídeos feitos a partir de apropriações de filmes antigos, fotos de jornais e imagens de arquivo. Procuro nestas imagens, absorvidas durante minha vida de espectador, uma tentativa de criar comentários muito pessoais sobre minhas vivências, sentidos e memórias. O projeto “Fotografias recentes”, parte desta premissa e é composto de duas séries de trabalhos: Zona de neutralidade e Ponto de vista, construídos a partir da apropriação de fragmentos de imagens fotográficas históricas.
Em Zona de neutralidade, dirijo o meu foco aos passantes que aparecem num segundo ou terceiro plano de algumas fotografias paradigmáticas do século XX. Estes personagens, contidos nesta zona neutra da fotografia, passam a assumir o foco principal, criando narrativas que os desprendem do contexto de onde saíram. A imagem que resulta da apropriação e da ampliação, ganha contornos pictóricos que retiram da fotografia o seu caráter documental e o seu compromisso com o registro realístico de um acontecimento.
Nos trabalhos de Ponto de vista, utilizo-me de colagens, recortes, replicações e distorções, para alterar o foco de atenção nas fotografias. Ao enfatizar um ou outro personagem ou aspecto da cena, tento criar algumas singularidades nestas imagens icônicas e por vezes exaustivamente expostas.
Dirnei Prates
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| Dirnei Prates |
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| ilustríssima presença de Neiva Maria Prates |
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| Abertura da exposição |
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| abertura da exposição |
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Natureza morta - primeiro contato
Como os desvios e os novos cálculos de rotas acabam trazendo surpresas diversas, nesta investida não foi diferente. Ao invés de nos deparamos com a lagoa pretendida, acabamos por encontrar as matas. Árvores de toda espécie despontavam, por todos os lados, cerrando nossa visão do entorno. Por alguns instantes nos sentimos perdidos frente a tanto verde, mas um tanto mais ao longe, algumas cores por dentre as árvores e arbustos nos chamaram a atenção. Pegamos as mochilas e iniciamos nossa caminhada, embrenhando-nos por entre passagens forçadas na mata para chegar ao que nossos olhos custaram a entender, apesar de ser nítida a percepção à medida que nos aproximávamos.
Nosso primeiro contato foi com ‘frutas’ que muito lembravam mangas amareladas, dependuradas em árvores completamente sem vida. Eram espécies com uma coloração acentuada, diferente daquela a que estávamos acostumados. À medida que íamos nos aproximando, um forte odor se intensificava, chegando às vias do insuportável quando ficamos frente a frente com as tais ‘frutas’; certamente, este mau cheiro funcionava como mecanismo de defesa contra insetos e outros seres, inclusive humanos.
Dentro das tais ‘mangas’, podia-se verificar a presença de um líquido, possivelmente água, como se fossem reservatórios para o período pós hibernatório daquelas árvores. A tentativa de retirá-las do pé foi abortada em razão do forte calor que elas emanavam e também pela colaboração com o propósito da auto-preservação da espécie.
Como não encontramos registros científicos ou qualquer tipo de catalogação, resolvemos nomeá-las, primeiramente, frutas d’água, preservando o nome relacionado com aquelas já existentes: manga d’água, ameixa d’água e etc.
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domingo, 1 de janeiro de 2012
Projeto Google Water - Águas Mornas - Natureza Morta
Em Águas Mornas / SC, frutas estranhas brotam de galhos secos e sem vida. Numa estrada paralela a uma lagoa, dentro da mata, enxertos de cor e forma modificam o instante dos passantes. São peras, ameixas, mangas e outras frutas fora desta estação, elementos de uma natureza morta.
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domingo, 23 de outubro de 2011
Caos e Efeito
Uma nova maneira de ver e pensar a vida e a arte contemporâneas brasileiras. A exposição Caos e Efeito, em cartaz no Itaú Cultural a partir de 23 de outubro, explora temáticas que serão abordadas nesta década que se encerra em 2020. A intenção é lançar um olhar abrangente sobre a produção nacional no campo das artes visuais e trazer à tona temas imersos nas questões – e inquietações – do mundo atual. A mostra traz a visão de cinco dos mais atuantes curadores do país: Fernando Cocchiarale, Lauro Cavalcanti, Moacir dos Anjos, Paulo Herkenhoff e Tadeu Chiarelli, escolhidos entre os 10 que realizaram mais mostras na década passada, segundo pesquisa do instituto. A exposição abriga aproximadamente 150 obras – entre pinturas, fotografias, instalações e vídeos – de 81 artistas, entre os quais Dirnei Prates, com o vídeo o remêmoro e Nelton Pellenz, com o vídeo azul profundo.
Sobre a mostra
Fernando Cocchiarale – em cocuradoria de Pedro França – demonstra em seu recorte curatorial a crítica embutida nos processos de concepção, produção da obra e sua inserção no sistema artístico. Artistas: Alumbramento Coletivo de Cinema, Anna Bella Geiger, Cadu, Daniel Santiago/Paulo Brusky, Ducha, Eduardo Berliner, Fabiano Gonper, Felipe Kaizer, Franz Manata & Saulo Laudares, Graziela Kunsch, Grupo Rex, Letícia Parente, Maria Helena Bernardes & André Severo, Matheus Leston, Michel Groisman, Nelson Leirner, Nervo Óptico, Vitor Cesar.
O curador Lauro Cavalcanti e o cocurador Felipe Scovino optaram por contextualizar, historicamente, a construção de uma linguagem artística brasileira, cosmopolita e internacional. Artistas: Alexandre Wollner, André Komatsu, Antonio Dias, Chacal, João Loureiro, Lucia Koch, Lygia Pape, Marcel Gautherot, Matheus Rocha Pitta, Nelson Leirner, Peter Scheier, Rafael Alonso, Rogério Sganzerla, Vicente Ferraz.
Moacir dos Anjos, em parceria com a cocuradora Kiki Mazzucchelli, selecionou obras que enfatizam o cotidiano, rompendo hierarquias entre o terreno da produção artística e o âmbito em que se desenrola a vida comum. Artistas:Alexandre Da Cunha, Bruno Lagomarsino, Jarbas Lopes/Tetine, Lygia Pape, Marepe, Paulo Nazareth, Renata Lucas, Rivane Neuenschwander, Sara Ramo, Waléria Américo.
A tênue linha entre o documental e o ficcional é o fio condutor da curadoria de Tadeu Chiarelli, com assistência curatorial de Luiza Proença e Roberto Winter. Artistas: Alberto Bitar, Alexandre Vogler, Chico Zelesnikar, Dirnei Prates, Felipe Cama, Fernando Piola, Guga Ferraz, Lais Myrha, Lenora De Barros, Nelton Pellenz, Patrícia Osses, Rafael Carneiro, Ridley Scott, Rosângela Rennó, Rubens Mano.
Por último, Paulo Herkenhoff e os cocuradores Cayo Honorato, Clarissa Diniz e Orlando Maneschy propõem um estado de “não pureza conceitual”, na qual se pode apontar nos trabalhos apresentados algumas perspectivas em comum, como a “libido intratável”, a ”deposição do sujeito como lugar de poder” e a “violentação política da violência”. Artistas: Armando Queiroz , Berna Reale, Coletivo Madeirista, Daniel Lisboa, Daniel Santiago, Edson Barrus, Fernando Peres, Grupo Empreza, Grupo Urucum, Jayme Figura, Jonathas De Andrade, Jonnata Doll, Juliano Moraes, Lourival Cuquinha, Mariana Marcassa, Miguel Bezerra, Moacir, Oriana Duarte, Paulo Meira, Pitágoras Lopes, Solon Ribeiro, Thiago Martins de Melo, Victor de la Roque, Wolder Wallace, Yuri Firmeza.
Mais informações: Itaú Cultural
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
AQUAPLAY - Galeria Iberê Camargo
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| detalhe do trabalho "grandes acontecimentos" de Dirnei Prates |
Na exposição Aquaplay, aberta no dia 01 de setembro na Galeria Iberê Camargo, Usina do Gasômetro, apresentamos um conjunto de trabalhos ambientados no litoral, que brincam com conceitos da fotografia e seus sistemas de representação e apreensão. Através de recortes, justaposições, limites e passagens, os vídeos e fotografias presentes na mostra, procuram estabelecer um jogo onde a ideia do “instante decisivo” é constantemente subvertida.
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CONJUNÇÕES DE LINGUAGENS ENTRE A FOTOGRAFIA E VÍDEO NA EXPOSIÇÃO AQUAPLAY
De um lado, a imagem imóvel; de outro, a imagem em fuga – e, entre estas, um jogo de conjunções de linguagens que aproximam os trabalhos em fotografia e em vídeo de Dirnei Prates e Nelton Pellenz. No conjunto, a água como matéria visual.
Passagens, limites, cortes e justaposições são as questões que reverberam entre os trabalhos fotográficos Grandes Acontecimentos, 2011 e Aqui, 2011, de Dirnei Prates. Para o primeiro, o artista captou imagens de orlas do mar veiculadas a partir de um monitor de televisão, formando um conjunto composto por quatro livros de pequenos formatos. Estes são dispostos de modo que, ao manusear as páginas para frente ou para trás, se podem construir diversas justaposições de paisagens panorâmicas, conectadas pela linha do horizonte e pelo intenso cromatismo. É como se o artista criasse várias pausas de uma sequência de diversos fotogramas de um filme.
Em Grandes Acontecimentos, apesar da linha vertical, o olhar escorrega entre as imagens pela potência das formas das paisagens, mas em Aqui o artista cria zonas de contenção para o olhar. A estratégia de justaposição de imagens, também herdada de outras obras anteriores do artista, reverberou na constituição de Aqui. Os seis trabalhos dessa exposição apresentam a mesma paisagem de fundo, porém as figuras não são as mesmas. Não é o fotógrafo que se desloca na busca dos acontecimentos, mas são estes que vêm até ele. Os transeuntes são sequestrados assim que cruzam na frente da lente da câmera, fixada num ponto da paisagem.
Se a forma de capturar as imagens pode lembrar a ideia do “instante decisivo”, o procedimento de montagem quebra essa noção do melhor momento do registro, pois o artista parece colocar em ruína aquela noção da fotografia. Com as fotografias ampliadas, Dirnei secciona os corpos das figuras, a exemplo do que fazia Degas em suas pinturas, e justapõe esses corpos a outros corpos igualmente seccionados da outra imagem, como para evidenciar um tempo fraturado. Assim, cria nessas figuras um “punctum” que fisga o olhar, deixando a percepção da paisagem para um segundo momento. A linha vertical de interstício entre as imagens conduz às figuras decepadas, e estas funcionam como zonas de contenção para a continuidade visual em sentido paradoxal ao fundo da paisagem. Isso reforça a ideia de limite e de bordas. É como se as bordas, os elementos da periferia da imagem usurpassem a nobreza do centro da composição, propondo uma derrota ao olhar viciado na tradição do bom enquadramento. As noções de bordas e limites não se referem apenas a aspectos formais se for lembrado que o conteúdo temático das imagens mostra a delimitação entre o mar e a terra.
Uma aderência muito próxima do trabalho Aqui é o vídeo Neste mesmo lugar, 2010, de Nelton Pellenz, devido à acentuada genética fotográfica na concepção e na apresentação. Sobre um mesmo fundo de água e de montanha da Lagoa da Conceição, em Santa Catarina, em intervalos de tempos, instantâneos fotográficos de pessoas e árvores aparecem e desaparecem repentinamente sobre a paisagem, ao som de um clique fotográfico. O dispositivo de edição gera o quadro a quadro, o que impregna as imagens de referência à imobilidade da fotografia. Porém, há uma sensação de velocidade pelo único sentido como as imagens correm sobre a paisagem, pela tremulação do fundo, tudo isso corroborado pelo som de um trem em movimento.
Impregnado de evidência fotográfica também é o vídeo de Pellenz, Neste outro lugar, 2010. Ao colocar a câmera no nível da areia, uma grande tomada estática em primeiro plano superdimensiona a imagem. Não é foto, mas a tomada fixa e quase inerte desse plano é da ordem do fotográfico. Ao contrário do outro vídeo, a ação ocorre na borda da linha do horizonte, onde cabeças de figuras transitam como pontos no espaço até serem atingidas por um som de tiro ao alvo, como num jogo. Sons metálicos, em alusão aos filmes de ficção científica dos anos de 1960, e rajadas de vento intensificam um clima enigmático. O silêncio visual desse amplo primeiro plano é quebrado de vez em quando por pequenos insetos, que fazem ligeiras aparições, e pela passagem da escuridão à luz, o que pode lembrar a forma como uma imagem vai se revelando ao olhar durante o processo químico no laboratório fotográfico. Mas depois volta a escuridão, possivelmente para pontuar a trajetória do tempo. Os vídeos jogam com a fixidez e a mobilidade do tempo da imagem.
O vídeo Pretérito Eu, Pretérito Tu, 2011, de Pellenz e Prates, evidencia outro sintoma dos diálogos entre vídeo e fotografia através de recursos de natureza fotográfica: cada fragmento das imagens do vídeo de registros de praias é intercalado pela simulação do abre-e-fecha da cortina do obturador da câmera fotográfica, e uma caixa de madeira semelhante à antiga câmera fotográfica caixote é utilizada como suporte para exibição do vídeo, fazendo jus ao título como algo do passado. Essas aproximações entre vídeo e fotografia bem poderiam lembrar a noção do Entre-Imagens de Raymond Bellour.
Se a imagem de água alude a movimento e fluidez, paradoxalmente, a imobilidade da fotografia a congela, mas o vídeo resgata a sua natureza inquietante de mobilidade. Aqui, Grandes acontecimentos, Pretérito Eu, Pretérito Tu, Neste mesmo Lugar e Neste Outro Lugar parecem irrigar-se uns aos outros através das conjunções de suas identidades.
Niura Legramante Ribeiro
Crítica de arte e professora na Universidade Feevale e no Atelier Livre
Doutoranda, PPG-AVI, UFRGS e Mestre em Artes, ECA/USP
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Paula Ramos sobre a exposição Cartão de Visita
Textos com seriedade sobre arte e exposições locais são tão raros de se ler nos jornais, que ficamos super felizes de participar de um destes poucos momentos.
Abaixo, texto de autoria de Paula Ramos publicado no jornal zero hora, sobre a exposição Cartão de Visita, na Galeria Gestual de 13 de agosto a 03 de setembro de 2011
Abaixo, texto de autoria de Paula Ramos publicado no jornal zero hora, sobre a exposição Cartão de Visita, na Galeria Gestual de 13 de agosto a 03 de setembro de 2011
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Cartão de Visita
Cartão de Visita: uma apresentação
O cartão de visita é um documento objetivo que atende a prática social de apresentar seu portador a um receptor. Sua função é dar a conhecer alguém, fornecendo dados de conservação e de consolidação desse conhecimento a outrem. Cartão de Visita é um projeto, desenvolvido em parceria com a Galeria Gestual, que tem por fim apresentar ao público quatro artistas emergentes
Bruno Borne, Dirnei Prates, Marília Bianchini e Nathalia García
Os valores que nos levam a apresentá-los são a consistência de suas pesquisas visuais, a elevada invenção dos seus dispositivos e a qualidade evidente de suas obras. Agregados a estes valores temos algumas virtudes, tais como a contemporaneidade das linguagens e dos suportes utilizadas – vídeo, fotografia e instalação –, além do reconhecimento que eles já têm dentro do protegido circuito acadêmico. Todos esses predicados: valores, virtudes e reconhecimento nos autorizam esta iniciativa, pois apresentar, consolidar e resgatar nossos valores artísticos é a função que escolhi como modus operandi há vinte anos, ao iniciar-me no campo das artes visuais. Mais do que uma prática profissional este princípio ético tornou-se um modus vivendi, uma duração de incontestável prazer e inquestionável riqueza, que agora comemoro apresentando-lhes orgulhosamente, neste Cartão de Visita, quatro jovens artistas.
Paulo Gomes
Agosto 2011
Os trabalhos podem ser vistos em http://www.gestual.com.br/templates/expo_cartaovisita.htm
O cartão de visita é um documento objetivo que atende a prática social de apresentar seu portador a um receptor. Sua função é dar a conhecer alguém, fornecendo dados de conservação e de consolidação desse conhecimento a outrem. Cartão de Visita é um projeto, desenvolvido em parceria com a Galeria Gestual, que tem por fim apresentar ao público quatro artistas emergentes
Bruno Borne, Dirnei Prates, Marília Bianchini e Nathalia García
Os valores que nos levam a apresentá-los são a consistência de suas pesquisas visuais, a elevada invenção dos seus dispositivos e a qualidade evidente de suas obras. Agregados a estes valores temos algumas virtudes, tais como a contemporaneidade das linguagens e dos suportes utilizadas – vídeo, fotografia e instalação –, além do reconhecimento que eles já têm dentro do protegido circuito acadêmico. Todos esses predicados: valores, virtudes e reconhecimento nos autorizam esta iniciativa, pois apresentar, consolidar e resgatar nossos valores artísticos é a função que escolhi como modus operandi há vinte anos, ao iniciar-me no campo das artes visuais. Mais do que uma prática profissional este princípio ético tornou-se um modus vivendi, uma duração de incontestável prazer e inquestionável riqueza, que agora comemoro apresentando-lhes orgulhosamente, neste Cartão de Visita, quatro jovens artistas.
Paulo Gomes
Agosto 2011
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Zona de neutralidade na galeria Gestual
Zona de neutralidade
O trabalho consiste em apropriações de fragmentos de fotografias, que me marcaram ao longo dos anos. São imagens importantes na história da fotografia, facilmente reconhecidas quando vistas. Retiro destes cenários icônicos os coadjuvantes que aparecem, quase sempre incautos, na cena. Estes personagens, contidos numa zona neutra da fotografia (lugar oposto ao assunto do primeiro plano), assumem o foco principal, criando narrativas que os desprendem do contexto de onde foram subtraídos.
Dirnei Prates
Exposição coletiva Cartão de Visita, na galeria Gestual
As imagens foram extraídas das fotos abaixo:
1-Child with toy grenade in Central Park – 1962- Diane Arbus2- Whitby Yorkshire – 1978 – Ian Berry
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domingo, 7 de agosto de 2011
Passeio pela Marestesia
Registro da exposição Marestesia, na Galeria da Fundação Ecarta em 2011
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sábado, 2 de julho de 2011
Convite à contemplação do cotidiano
Nesta semana, no dia 29 de junho, Érica Gonsales publicou uma matéria sobre o Coletivo Cine Água no blog do The Creators Project. Um dos principais objetivos do Projeto é, além de apontar talentos criativos em arte e tecnologia, propor reflexões sobre os caminhos que a cultura segue em um parâmetro global.
O texto abaixo foi extraído da matéria publicada no site.
"O Cine Água cria obras aparentemente simples e singelas. Eles crêem que a beleza do cotidiano merece ser contemplada e, para atrair o seu olhar, tratam de emoldurar esses pequenos momentos. “Parece-nos que disparadas são inúteis”, escrevem em seu blog. “Sentamos sob a sombra desta palmeira, deitamos na cama macia dos dias de chuva, somos refrigerados pelo ar condicionado do carro que nos leva para o mar, fumamos cigarros, experimentamos levezas percorrendo dunas meio enluaradas nas noites de verão. Sentimos a porta aberta e é necessário que haja um momento de inércia para que as coisas simples e cotidianas destes momentos entrem por esta porta, e possam ser sentidas com toda a sua carga.”
O artista Dirnei Prates admite que os trabalhos do coletivo precisam de algum tempo para serem entendidos e absorvidos. “É o tempo da contemplação”. Ele e Nelton Pellenz, ambos gaúchos de Porto Alegre, elegeram a água como elemento essencial de inspiração e ligação de suas fotografias, vídeos e instalações.
Atualmente a dupla está com a exposição Marestesia na Fundação Ecarta, que reúne dois vídeos de Nelton e imagens fotográficas, organizadas como cadernos ou livros, de Dirnei. No video Azul Profundo uma câmera fixa — linguagem recorrente nos trabalhos do diretor — registra em plano fechado o movimento das ondas. Em muitos momentos, as imagens se tornam abstratas, mantendo o sentimento de fluidez, abstração e mistério que o mar desperta.
Nelton já dirigiu diversos curtas, como o premiado pela Mostra Filme Livre, Passarim, em 2007. Na mesma Mostra o parceiro Dirnei saiu vencedor no ano seguinte, com o curta Tripulante. Ano passado, os dois ganharam o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea, com a exposição Salas de Chuva. O intuito era “deslocar o espectador da ideia de assimilação rápida, própria da cultura virtual”, conforme dito no site da Funarte.
Neste caso a dupla lançou mão não apenas de vídeos produzidos por eles, mas também imagens de filmes clássicos reeditadas em outro contexto. Nelton, por exemplo, se apropria da famosa cena do filme Cantando na Chuva, em que Gene Kelly canta e dança com o guarda-chuva em punho, enquanto Dirnei elegeu a tempestade que antecede o crime principal em Psicose, de Alfred Hitchcock. Paralelamente, monitores instalados no chão exibiam uma longa sequência de pingos d’água em pequenas poças até que um ruído surpreende o espectador. “A ideia é criar um antagonismo entre o que se vê e o que se ouve”, explica Nelton."
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domingo, 26 de junho de 2011
O texto abaixo foi escrito por Maria Amélia Bulhões, pesquisadora e doutora em artes visuais, e publicado no jornal on line Sul21.
"Marestesia
Hoje, trataremos de uma exposição de pequeno porte, intimista e que pede ao espectador um mergulho em seu universo poético. Literalmente um mergulho, uma vez que seu tema é o mar. Marestesia, como o próprio nome sugere, nos propõe a experiência da estesia (percepção sensorial, faculdade de sentir; sensibilidade, sentimento do belo) a que o mar induz. Ela está sendo apresentada na Galeria de Arte da Fundação ECARTA (instituição do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do RS, na Av. João Pessoa, 943), aberta de terça a sexta das 10h às 19h, sábados das 10h às 20h e domingos das 10h às 18h.
A exposição é composta por dois vídeos de Nelton Pellenz e pequenas imagens fotográficas, organizadas como cadernos ou livros, de Dirnei Prates. Os dois artistas trabalham juntos há bastante tempo no coletivo Cine Água, estabelecendo uma relação entre cinema e artes visuais, e que tem a água como fio condutor das ideias. Eles realizam propostas em vídeo, fotografia, instalações e intervenções urbanas. Participam e organizam mostras de cinema expandido em espaços pouco ortodoxos, tendo recebido inúmeros prêmios por seu trabalho. O coletivo Cine Água dispõe de um blog, onde podem ser vistos vários vídeos, assim como no site. Vale a pena visitar e conhecer um pouco mais do trabalho destes artistas. No You Tube também é possível assistir vários vídeos de Nelton Pellenz e Dirnei Prates e, observar a qualidade técnica e poética de seu trabalho, que encantou unanimemente o júri de seleção das exposições para os espaços da Funarte em 2010.
A fotografia e o vídeos introduziram-se no contexto das artes visuais em um longo processo que, no caso da fotografia remonta ao final do século 19, e, no caso do vídeo, ao final da década de 60. Ambos os meios estiveram originalmente associados às correntes de vanguarda, e serviram de base para muitos experimentos técnicos, formais e expressivos. Mesmo que estes recursos técnicos encontrem-se, hoje, amplamente disponíveis, com câmaras portáteis de uso doméstico, práticas e de fácil utilização, a manutenção de seu caráter experimental ainda permeia o uso da fotografia e do vídeo no campo das artes visuais. Tendência esta que Prates e Pellenz exploram, na expansão de suas ferramentas e de seus repertórios conceituais, para construir uma poética original e envolvente.
Na exposição Marestesia, dois vídeos são apresentados, simultaneamente em uma sala escura. Um, em tons de azul, propõe a experiência do pleno mar. Tendo sido filmado a partir do lugar onde as ondas batem, eles oferecem uma visualidade de mar adentro, totalmente envolvida por água. O outro, mais noturno, em tons de marrom terroso, evoca águas paradas, apresentando imagens de uma rua inundada, onde, em imperceptíveis momentos, algumas sombras se movimentam. Os livros da exposição se apresentam em duas versões: – o primeiro, minúsculo, apresenta inúmeras imagens de um farol e, quando folheado rapidamente, da a sensação de que o mar se movimenta. O outro apresenta nadadores no mar e, com o movimento das folhas, altera as imagens, também sugerindo movimento. Em seu conjunto, as obras partem do registro de situações corriqueiras, que assumem o papel de um inventário de deslocamentos pelo litoral, tendo sempre como foco o mar e o movimento.Bastante singela em sua montagem, a mostra encanta pela capacidade de envolvimento do espectador a que se propõe e que efetivamente alcança.
Precisamos evitar uma postura colonizada de pensar sempre que arte é o que vemos fora daqui, nos grandes centros culturais do país e do mundo. Dedicar atenção à produção local, de qualidade e muito rica em sua diversidade, em pequenas mostras, pode ser uma maneira prazerosa de oferecer ao nosso olhar a oportunidade de devaneios poéticos, tão raros em nosso atribulado cotidiano.
Maria Amélia Bulhões"
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terça-feira, 21 de junho de 2011
Marestesia
| foto da abertura feita com câmera Lomo Diana F |
No dia 18 de junho, abriu a nossa mostra Marestesia, na galeria da Fundação Ecarta. Os trabalhos apresentados na exposição, compostos por vídeos e livros, partem do registro de situações corriqueiras que, a partir desta distinção, assumem o papel de um inventário dos nossos deslocamentos pelo litoral.
Marestesia faz parte de um projeto maior chamado Google Water, que consiste em deslocamentos que fazemos até cidades que tem a água, de alguma forma, no nome. Mapeamos estes locais e então partimos com a finalidade de realizarmos uma ação temporária ou algum tipo de registro que vá gerar um desdobramento do trabalho. Nesta mostra, estão os resultados das visitas feitas à praia da Barra da Lagoa, em SC
Sobre os trabalhos:
O remêmoro – a câmera parada, uma lembrança momentânea e sem cortes de uma manhã de janeiro.
| Grandes Eventos - Dirnei Prates foto: Igor Sperotto |
Grandes acontecimentos – o mar e seu movimento imprecisamente constante. O mar nunca é igual. Folhear o livro é tentar traduzir a situação de inconstância das marés.
Mar passando – o mar passou por aqui a menos de 10 minutos.
Águas de maio – à noite, sob a chuva, é preciso bem mais do que um simples olhar. Percebo o vai e vem dos transeuntes e a poça d'água. Todos os sentidos e experiências anteriores estão convidados para este momento.
Azul profundo – no fim da tarde do fim do verão, o mar, de tão intenso, absorveu os incautos surfistas. O que antes era certeza, agora é uma melancolia azul-profundo que aos poucos me envolve.
*Journey to Avebury, 1971
| Azul Profundo - Nelton Pellenz |
Mais informações em http://www.fundacaoecarta.org.br/galeria/exposicao.asp
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Marestesia , registros da abertura
Galeria de Coletivo Cine Água no Flickr.
Registro da abertura da exposição Marestesia, do Cine Água na Fundação Ecarta, dia 18.06.2011.As imagens foram feitas com câmera Lomo Diana F, filme 35mm e flash com gelatina colorida.
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terça-feira, 14 de junho de 2011
Marestesia
Parece-nos que disparadas são inúteis.
Correr ou fruir o percurso, sob o ponto de vista do tempo, é a mesma coisa. Estamos então, numa auto pista, sem noção do tempo que nos espera; somente com uma noção de certeza da chegada, invariavelmente no momento da chegada, e em nenhum outro momento.
Sentamos sob a sombra desta palmeira, deitamos na cama macia dos dias de chuva, somos refrigerados pelo ar condicionado do carro que nos leva para o mar, fumamos cigarros, experimentamos levezas percorrendo dunas meio enluaradas nas noites de verão.
Sentimos a porta aberta e é necessário que haja um momento de inércia para que as coisas simples e cotidianas destes momentos entrem por esta porta, e possam ser sentidas com toda a sua carga.
O mar nos contempla, o sol sob a cabeça, o dia está mais azul... nós sentimos.
Dirnei Prates e Nelton Pellenz
Correr ou fruir o percurso, sob o ponto de vista do tempo, é a mesma coisa. Estamos então, numa auto pista, sem noção do tempo que nos espera; somente com uma noção de certeza da chegada, invariavelmente no momento da chegada, e em nenhum outro momento.
Sentamos sob a sombra desta palmeira, deitamos na cama macia dos dias de chuva, somos refrigerados pelo ar condicionado do carro que nos leva para o mar, fumamos cigarros, experimentamos levezas percorrendo dunas meio enluaradas nas noites de verão.
Sentimos a porta aberta e é necessário que haja um momento de inércia para que as coisas simples e cotidianas destes momentos entrem por esta porta, e possam ser sentidas com toda a sua carga.
O mar nos contempla, o sol sob a cabeça, o dia está mais azul... nós sentimos.
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