sábado, 23 de abril de 2011

Livre. Há 50 anos.

O Atelier Livre da Prefeitura completou 50 anos neste mês e promoveu uma série de atividades. Entre oficinas, residências com artistas e algumas exposições, as ações resgatam o percurso do Atelier Livre como lugar de convivências, experimentações e discussão da produção artística de Porto Alegre. Fazendo parte das comemorações, no dia 19 de abril, no Santander Cultural, inaugurou a exposição “Livre. Há 50 anos”, cujo mote era a realização de um trabalho a partir de um par de velas enviadas aos artistas, dentre os quais, Dirnei Prates, do Cine Água.
"Entrei pro Atelier Livre como aluno em 2000, fazendo Eletrografia com Mara Caruso e, em 2002, litografia com Miriam Tolpollar. Foi um período muito rico de contato com outros jovens artistas e muitas expectativas com relação à arte. Trabalhei no Atelier durante três anos, período em que comecei a produzir e participar de mostras e salões mais efetivamente. Participar desta mostra só reafirma minha relação com este ambiente de produção que, de certa forma, balizou minha trajetória como artista."
Longa Vida ao Atelier Livre!
Dirnei Prates

50 anos - fotografia - Dirnei Prates

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Neste outro lugar em Santo André

O 39o. Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, de Santo André - SP, com abertura no dia 28 de abril, às 20 horas, tem entre seus selecionados Nelton Pellenz, que participa com o trabalho em vídeo "Neste outro lugar".
A comissão julgadora foi composta pelo críticos de arte Oscar D'Ambrósio, Enock Sacramento e José Armando Pereira.
Utilizando um enquadramento muito próximo do chão, o vídeo recria no litoral uma paisagem árida, desolada, quase lunar, onde uma pequena faixa no horizonte é o palco de estranhos acontecimentos. Nesta paisagem, cuja escala é alterada pela posição da câmera, o único movimento é feito por transeuntes que surgem e desaparecem como alvos de games interativos. A sensação de outro lugar é reforçada pelos sons metálicos e pela falta de referências situacionais.
O vídeo pode ser visto aqui


                                                                         Frame do vídeo "Neste outro lugar"
                                                                              

sábado, 16 de abril de 2011

V Prêmio Açorianos de Artes Plásticas


imagem do vídeo " debaixo d"agua tudo é muito mais bonito", de Nelton Pellenz na galeria Lunara
 

imagem do site specific "água doce", de Dirnei Prates na Galeria Lunara
 


No dia 8 de maio, acontece a cerimônia de entrega do V Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, em Porto Alegre. O Cine Água, mais uma vez foi indicado e concorre pela exposição "Cine Água", realizada na Galeria Lunara, na Usina do Gasômetro, em 2010.

Abaixo, a relação de todos os indicados:

DESTAQUE EM PINTURA
Cláudia Barbisan, com a exposição “Que isto fique entre nós” no Museu do Trabalho
Elton Manganelli, com a exposição “Pintado” na Galeria Arte&Fato
Gelson Radaelli, com a exposição “Tormenta” na Galeria Iberê Camargo
Marilice Corona, com a exposição “En Abyme” no Espaço Cultural ESPM

DESTAQUE EM ESCULTURA
BonGiovanni, com a exposição “Arparadores” no Atelier Subterrânea
Carusto, com a exposição “mamilos in memoriam” na Jabutipê
Chico Machado, com a exposição “Dispositivos Sônicos” no Museu do Trabalho
Patrício Farias, com a exposição ‘Confesso que vivi’ na Bolsa de Arte

DESTAQUE EM DESENHO
Carlos Asp e Gerson Reichert, com a exposição “Diálogos ampliados” na Sala da Fonte no Paço Municipal
Dione Veiga Vieira, com a exposição “Trabalhos Sobre Papel” na Galeria Gestual
Elida Tessler, Fernando Lindote, Gisela Waetge, Jailton Moreira e Maria Lucia Cattani, com a exposição“Era uma vez desenho” na Ecarta
Hélio Fervenza, com a exposição “Traveling: Atelier” no Atelier Subterrânea
Rogério Severo, com a exposição “Linhas de espera” no Porão Paço Municipal

DESTAQUE EM CERÂMICA
Não houve indicações

DESTAQUE EM GRAVURA
“Coleção do Consórcio de Gravuras” na Pinacoteca Barão do Santo Ângelo IA/ UFRGS
Jander Rama, com a exposição “(im)prováveis” na Usina do Gasômetro
Rafael Pagatini, com a exposição “Interiores” no Studio Clio e “ Brumas”no Instituto Goethe

DESTAQUE EM FOTOGRAFIA
Adauany Zimovski, com a exposição “Paisagem Pragmática” no Instituto Goethe
Amélia Brandelli, com a exposição “Através” no Instituto Goethe
Letícia Lessa, com a exposição “Distopia da Cidade Invisível” na Galeria do 4º Andar na Usina do Gasômetro
Martin Streibel, com a exposição “Partículas” na Galeria Iberê Camargo no MARGS

DESTAQUE EM MÍDIAS TECNOLÓGICAS
Bruno Borne, com “Sessão invertida” na Galeria Lunara na Usina do Gasômetro
Dirnei Prates e Nelton Pellenz, com “Cine Água” na Galeria Lunara na Usina do Gasômetro
Elaine Tedesco, com vídeo intervenção nos Jardins do DMAE, Simpósio internacional arte.mov

MELHOR EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL
BonGiovanni , com a exposição “Arparadores” no Atelier Subterrânea
Chico Machado, com a exposição “Dispositivos Sônicos” no Museu do Trabalho
Maria Inês Rodrigues, na Sala Arquipélago no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo
Martin Streibel, com a exposição “Partículas” na Galeria Iberê Camargo no MARGS

MELHOR EXPOSIÇÃO COLETIVA
Convivências - Dez Anos da Bolsa Iberê Camargo na Fundação Iberê Camargo
Elida Tessler, Fernando Lindote, Gisela Waetge, Jailton Moreira e Maria Lucia Cattani, com a exposição“Era uma vez desenho” na Fundação Ecarta
Guilherme Dable, Gerson Reichert, Túlio Pinto, com a exposição “Espaços compartilhados” na Galeria Gestual

ARTISTA REVELAÇÃO
BonGiovanni, com a exposição “Arparadores” no Atelier Subterrânea
Bruno Borne, com a exposição “Seção Invertida” na Galeria Lunara na Usina do Gasômetro
Rafael Pagatini, com a exposição “Interiores” no Studio Clio e “Brumas” no Instituto Goethe
Rogério Severo, com a exposição “Linhas de espera” no Porão do Paço Municipal

DESTAQUE DE ESPAÇO INSTITUCIONAL, PÚBLICO OU PRIVADO, DE DIVULGAÇÃO ARTÍSTICA
Atelier Subterrânea
FundaçãoEcarta
Galeria Gestual
Instituto Goethe
Studio Clio

DESTAQUE EM PROJETO ALTERNATIVO DE PRODUÇÃO PLÁSTICA
Cowparade nas ruas de Porto Alegre
Exposição AUTOCHOQUE – Um Ensaio Sobre Impactos, com Laura Cattani & Munir Klamt (grupo Ío), Dione Veiga Vieira, Félix Bressan, Élcio Rossini e Paulo Mog, na Usina do Gasômetro
Projeto 3 x 4 Vis(i)ta, de Mário Röhnelt
Videos Arte, nos jardins do DMAE

DESTAQUE EM TEXTOS, CATÁLOGOS E LIVROS PUBLICADOS
Catálogo Chico Lisboa
Livro “Convivências – Dez Anos da Bolsa Iberê Camargo” - Jailton Moreira
Livro “Horizonte expandido” - Maria Helena Bernardes e André Severo
Livro “Obras e Escritos” - Heloísa Schneiders da Silva, org. Mônica Zielinsky
Livro “Subterrânea” - Lílian Maus (org), Adauany Zimovski, Gabriel Netto, Guilherme Dable, James Zortéa e Túlio Pinto (co-organizadores).

DESTAQUE EM CURADORIA
Jailton Moreira, exposição “Convivências” na Fundação Iberê Camargo
Maria Helena Bernardes e André Severo, exposição “Horizonte Expandido” no Santander Cultural

PATROCÍNIO E/OU APOIO A EVENTOS LIGADOS ÀS ARTES PLÁSTICAS
Fundação Iberê Camargo
Instituto Goethe
Koralle
Santander Cultural
Sinpro

DESTAQUE EM ACERVO/ MEMÓRIA
Danúbio Gonçalves, “Aos Grandes Mestres” no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo
Franca Taddei, “Pinturas” na Sala Paulo Osorio Flores, na Casa Torelly
Henrique Fuhro no MARGS
Pedro Weingärtner, no MARGS

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Peço-lhe que volte, premiado no MFL 2011

Em março, a Mostra do Filme Livre completou 10 anos. A MFL , que desde 2002 firmou o compromisso de diluir fronteiras no audiovisual , apresentando em suas mostras filmes independentes com o frescor da experimentação, este ano faz uma potente retrospectiva com obras de realizadores como Luiz Rosemberg Filho, Camilo Cavalcante, Andrea Tonacci, Helena Ignez, entre tantos outros. O curta “Tripulante”, de Dirnei Prates, feito a partir de antigos fragmentos de imagens captados em VHS, foi o vencedor da mostra em 2008 e participa desta grande retrospectiva.
"Tripulante" pode ser visto em
http://www.curtaocurta.com.br/curta/432/

imagem de peço-lhe que volte e fique contente de Dirnei Prates
assista o vídeo aqui


























O Cine Água também participou da programação da mostra de 2011 na sessão Pílulas, com filmes de até 4 minutos de duração. Nelton Pellenz apresentou o delicado “Porto”, de 2009, um filme sobre saídas e chegadas, onde a desaceleração é o convite para a viagem, e Dirnei Prates, com a apropriação de imagens do filme “Limite”, em “Peço-lhe que volte e fique contente”, de 2009, recebeu o prêmio de melhor filme, definido pelo júri da ASCINE-RJ. Os dois filmes também participaram da exposição “Infiltração”, que aconteceu em Porto Alegre em 2009, e que em 2010 foi premiada com o troféu Açorianos de Artes Plásticas.
Mais detalhes sobre a premiação em
http://www.mostradofilmelivre.com/noticias/2007/

Abaixo o trecho do texto extraído do site da mostra:
O QUE É A MOSTRA DO FILME LIVRE?
Um evento experimental como os filmes que gosta de exibir. Uma mostra que não se importa de inventar modas a cada edição, seja bolando sessões exóticas ou fazendo filmes em formatos esdrúxulos em suas oficinas, promovendo noites livres e sessões com apito para o público acelerar ou mudar o filme, ou quem sabe dando o troféu aleatório, obviamente sorteado ao léu. Assim tem sido a MFL, a cada ano diferente em seus detalhes, mas sempre, sempre, com a mesma vontade que motivou o seu nascimento, em 2002: a de mostrar filmes que fujam correndo do lugar-comum.
O principal objetivo da MFL é a exibição de filmes livres e a multiplicação de olhares mais atentos ao que se tem feito “audiovisualmente” no mundo brasileiro. Por isso exibe filmes feitos em todos os suportes (VHS, Beta, Minidv, HD, 35mm, 16mm, celular, entre outros), formatos (curtas, médias e longas-metragens), de todos os gêneros (ficção, documentário, animação e experimental) e feitos em qualquer época. É um tipo de mostra única no Brasil, já que não faz restrições de espécie alguma com relação às obras inscritas. E a cada ano a curadoria define os filmes que possuem maior diferencial para serem mostrados ao povo e premiados.
Em 2011 a curadoria da MFL 2011 foi de Chico Serra, Gabriel Sanna, Guiwhi Santos, Juliano Gomes, Marcelo Ikeda e Raphael Fonseca.
Mais MFL em
http://www.mostradofilmelivre.com/11/

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Salas de chuva – making off

Sim, havíamos nos programado (e muito) para a montagem da exposição, acreditando que em 7 dias corridos conseguiríamos montá-la, incluindo aí a construção de uma parede dividindo a galeria em duas, pra dar lugar às salas um e dois.

Mas, como sempre acaba aparecendo um imprevisto ou uma decisão posterior à fase de planejamento, quando se está no espaço expositivo, podem ser descobertas outras possibilidades de realização das coisas. Foi assim com a confecção da sala 2, que em princípio iríamos pintar toda de preto, acabou sendo forrada com tecido (TNT), dando um aspecto mais aconchegante, bem mais próximo à sensação de uma sala de cinema. Percebemos que a galeria oferecia esta alternativa e assim o fizemos. Esta alteração no planejamento demandou um tempo adicional na confecção desta sala.

Acordávamos cedo e voltávamos para o hotel à noite, sempre por volta das 21 h.

A correria foi intensa, mas se não fosse o apoio do pessoal da Funarte, a tarefa teria sido bem menos prazerosa. Iara Martorelli, Paulo Ramos, Alexandre Malaquias, Kleber Werner, Erondino Loreto, Edivaldo Araújo e Eduardo de Souza são verdadeiros parceiros e muito nos auxiliaram (e continuam nos auxiliando). Queremos aproveitar para deixar aqui registrado nosso sincero agradecimento a esta equipe ‘tri legal’.

A brincadeira da dupla quanto à exposição Salas de chuva ser em Brasília e pelo fato de não ter chovido nos últimos 100 dias na cidade, era de que o Cine Água iria fazer chover em Brasília. Na verdade, no dia da inauguração não choveu, mas em compensação, no primeiro dia de abertura caiu um toró na cidade. Coisas de exposições Cine Água (até hoje, em quase todas as aberturas, choveu).

As fotografias do making off podem ser vistas aqui ao lado (à direita).

Salas de Chuva - Funarte / Brasília 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Entre Águas

Entre águas

Entre o estático e o movimento; entre o fixo e a transformação; entre o próximo e o distante; entre a transparência e a opacidade; entre o que se ouve e o que se vê. A preposição entre, com toda sua carga de definição e – sobretudo e paradoxalmente – de oscilação, sinaliza o alargamento das possibilidades sensoriais e interpretativas do conjunto de imagens que Dirnei Prates e Nelton Pellenz apresentam sob o título Salas de Chuva. Trabalhando juntos desde 2006, os artistas têm pautado suas investigações nas especificidades decorrentes desses interstícios, no exame acurado das linguagens do vídeo, e na adoção do elemento água como o aglutinador de uma série de idéias acerca de transitoriedade, fluidez, prazer e memória.

Na primeira das Salas de Chuva, impera o baralhamento dos sentidos. A instalação Chuva 7, por exemplo, é composta de três vídeos exibidos em televisores de 22” e colocados em caixas junto ao chão, com os monitores voltados para cima. Nos três temos enquadramentos fixos, contemplando ora poças d’água, ora o detalhe de um terreno acidentado. Em meio a uma certa rigidez que caracteriza esses recortes, percebe-se uma curiosa movimentação, não do vídeo em si, mas dos elementos da natureza, que se manifestam visual e sonoramente. São pingos, muitos pingos de chuva, que atravessam a imagem em diagonal, formando um fluxo. Em instantes, onde havia terra, uma pequena depressão topográfica surge, escavada pelo líquido abundante que vai de um lado a outro, movimentando fragmentos e resíduos antes imperceptíveis. Em outra passagem, um tanque com águas límpidas também tem seu caráter diáfano posto à prova pela presença da chuva que, intempestiva, faz com que tudo tremule e saia do seu cômodo arranjo. Nesse contexto, formas reconhecíveis como pedras ou a sombra de uma vegetação ribeirinha diluem-se em manchas e borrões. Vigorosa e desestabilizadora, a água faz com que elementos que estavam no fundo possam emergir, com que outros que se encontravam na superfície sejam levados pela correnteza, numa sucessão de ciclos que exigirá sempre novas configurações, alertando-nos metaforicamente para a efemeridade e a impermanência.

Esse aspecto fugaz é reforçado pelos sons, ora torrenciais e enfáticos, ora suaves e ternos. E uma vez que cada um dos três vídeos apresenta uma duração e um ritmo de chuva próprios e que eles são exibidos não apenas concomitantemente, mas em looping, temos a sobreposição de vários tempos, reforçando a perturbação e a singularidade da experiência.

Um aspecto semelhante é explorado em Chuvas 3, 4 e 5, de Dirnei Prates, que pegam de empréstimo o formato e o estatismo da fotografia. Exibidos junto à parede, em porta-retratos com 10”, esses trabalhos se apropriam de imagens do clássico Cantando na Chuva (1952), filme de Stanley Donen e Gene Kelly. Na mais famosa cena do musical, Kelly, depois de se despedir de Debbie Reynolds com um beijo apaixonado, começa a tomar o rumo para sua casa. É noite e chove profusamente, mas ele, em estado de deslumbramento, diverte-se com a chuva, dança e sapateia em meio às poças, faz malabarismos com o artefato que deveria protegê-lo de tanta água. A ação se passa em cerca de quatro minutos, mas nos vídeos de Prates, segundos dessa emblemática performance são isolados e estendidos a um tempo de quase uma hora. Aparentemente fixas, as imagens são também quase fotografias. Novamente no intervalo, no entre.

O movimento da imagem foi retardado por um hiper-slow-motion, que secciona os gestos, prolongado-os e, com isso, dilatando poeticamente o tempo, tão fugidio. Esse recurso da linguagem do vídeo já foi usado por vários artistas, como Bill Viola, em The Greeting (1995), apresentado na Bienal de Veneza de 2001. Tal procedimento, pelas próprias características da varredura da tela, leva a uma diluição da forma, e a imagem surge borrada, sem nitidez.

Nesses três trabalhos de Prates, há como que uma vertigem de linguagens. Dançando na Chuva, como o cinema tradicional, parte de imagens individuais e imóveis, visíveis a olho nu e que, projetadas em uma tela com velocidade regular, dão a impressão de continuidade. Trata-se de um efeito ilusionístico. Ao se apropriar de fragmentos do filme e explorá-los com os recursos do vídeo, de certa forma o artista referencia essa natureza fotográfica do cinema e o artifício mecânico por trás da percepção de movimento. Nesse sentido, o suporte escolhido para a exibição das imagens é bastante pontual, remetendo-as à sua origem conceitual. Ao mesmo tempo, é lícito pensar que, uma vez em “porta-retratos”, as imagens assumem o pretenso caráter de eternidade e imutabilidade que freqüentemente associamos à fotografia.

Entra em cena também, neste formato, a contemplação vagarosa dos passos de Gene Kelly. E, com o estiramento, é prolongado o próprio prazer de acompanhar o ator em sua frenética coreografia. Sobretudo ao espectador familiarizado com o filme, Prates oferece ainda uma outra experiência temporal, articulada a partir do processo de identificação, rememoração e antecipação: há o passado da imagem, o seu presente, e o futuro, que o público completa mentalmente, podendo inclusive “ouvir” as águas abundantes e a voz de Kelly, cantando na chuva.

O elemento narrativo mantém-se em Chuva 6. Novamente partindo de um referencial do cinema, aqui Dirnei Prates fotografou duas passagens do filme Psicose (1960), de Alfred Hitchcock. Os frames de vídeo, exibidos em monitores de TV de 40”, sugerem uma seqüência graças à justaposição das imagens, ao mesmo tempo em que enfatizam, uma vez mais, os trânsitos entre fotografia, cinema e vídeo.

Na segunda Sala de Chuva, Nelton Pellenz reporta o espectador ao próprio ambiente de cinema, no qual, com intervalos de cinco minutos, são exibidos Chuva 1 e Chuva 2. O primeiro deles, em preto e branco, rapidamente estabelece uma dicotomia entre o que se ouve e o que se vê. Na tela, uma série de ruídos e texturas visuais formam os grafismos dessa imagem tátil. Pela forma e movimento que assumem, muitas manchas pulsantes de luz sobre a superfície parecem remeter a sons de relâmpago; mas eles, na verdade, inexistem. O que há é o permanente barulho da chuva, entremeado por passos, risadas, gargalhadas, latidas de cães e falas longínquas. Na tensão e no aparente desconforto sensorial, sons e imagens já não estabelecem uma unidade e, em vez disso, propõem difusos e complexos relacionamentos, a cargo da fantasia de cada um.

É distinta a situação de Chuva 2, vídeo marcado por um caráter mais intimista e contemplativo. Aqui, um tom róseo domina a projeção. Abrindo-se como uma paisagem, a forma-cor se dilata e contrai calmamente, tal como ondas junto à praia. Às vezes, parece fervilhar, com sua superfície crispada, como se recebesse múltiplos estímulos. Não há sons ou música, nenhuma interferência dessa ordem. De repente, porém, o silêncio é quebrado por um crescente ruído, intercalado por novos momentos de calmaria. É quando vultos humanos em contraluz perpassam a área rósea, revelando a escala entre as pessoas que por ali trafegam e o enigmático cenário, que Pellenz nos informa ser o detalhe de uma bomba d’água em meio à cidade. Faz diferença esse dado? Não. Tal como uma fantasmagoria do imaterial, para usar a expressão de Florence de Méredieu, a relação com o real é praticamente anulada, em favor da ênfase na imagem em toda sua carga de luminosidade, abstração e ficção. Nesse espaço programado, a razão e a percepção são abaladas, abrindo caminho para reações mais sensoriais, que priorizam particularidades como as cores, as formas e suas dinâmicas. A construção de significados, aqui, é inseparável da vivência, do ato de recepção como evento, do ato que implica não somente o olhar, ou a reflexão sobre o que se está olhando, mas, notadamente, o envolvimento de todos os sentidos nesse processo. As grandiosas projeções de Pellenz, portanto, clamam espectadores que se permitam engolfar, que se permitam a experiência, que se abram para outras compreensões.

Nos deslocamentos, sobreposições e interstícios de linguagens, as poéticas de Dirnei Prates e Nelton Pellenz instauram múltiplos estranhamentos. E, tal como a água diluviana das chuvas, suas imagens mexem com as estruturas associativas, propondo novas e pulsantes possibilidades para os sentidos, tantas vezes amortecidos.


Paula Ramos
Jornalista, crítica de arte e professora do Instituto de Artes da UFRGS


http://www.funarte.gov.br/

Salas de Chuva

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Eu não quero ser cineasta


Frame do vídeo "Águas de maio", de Nelton Pellenz - 2010
Veja o vídeo aqui.
O Festival Vivo arte.mov 2010, na programação deste ano, percorre as macro regiões do Brasil, passando por cinco cidades: Belém, Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e São Paulo.

O Tema deste ano é "Novas cartografias urbanas: reconfigurações do espaço público".

Na edição de Porto Alegre do Vivo arte.mov 2010, são discutidos aspectos das linguagens que surgem do cruzamento entre vertentes das artes plásticas, do vídeo e do cinema – todas elas mantendo, contudo, uma caraterística comum: a de escapar da tela em direção ao espaço público.

Dentro da programação que acontece na Usina do Gasômetro, está a mostra de vídeo “Eu não quero ser Cineasta”, com curadoria de Gustavo Spolidoro, que conta com os trabalhos “Peço-lhe que volte e fique contente”, de Dirnei Prates e “Águas de maio”, de Nelton Pellenz, juntamente com vídeos de Luiz Roque, Mariana Xavier, Cristiano Lenhardt, James Zortéa, Letícia Ramos e do coletivo Tentacles Ensemble Collective.

Abaixo, o texto do Gustavo sobre a mostra.

EU NÃO QUERO SER CINEASTA

Muitas vezes, ao criar uma obra audiovisual, o autor não tem a intenção de ser reconhecido enquanto cineasta, de fazer um “filme”. Ele esta apenas experimentando uma linguagem, uma proposta visual, um movimento para a sua obra. Ele não tem essa percepção e muito menos essa pretensão.

Seria ele um naif cinematográfico?

Mas o que dizer quando essas obras transformam a própria linguagem audiovisual, são exibidas em salas de cinema, participam de festivais, são reconhecidas, são premiadas e fazem com que o autor seja chamado de cineasta?

Que arte é essa que permite ser corrompida e recriada por outsiders, impuros, elementos não “autorizados”, pessoas que não são íntimas da técnica, da linguagem e da narrativa audiovisual tradicional?

E que pessoas são essas que ousam fazer filmes, expandir o cinema, fugir dos guetos dos gêneros, chutar o balde da monotonia cinematográfica e desconstruir conceitos, mesmo sem ter essa intenção?

Curiosamente são as mesmas pessoas responsáveis por manter viva a utopia do cinema enquanto arte, enquanto obra capaz de fascinar pelo seu frescor e não por uma repetição fria de fórmulas centenárias.

Ao construir a curadoria desta mostra, tive por princípio dar prazer aos meus sentidos e espero com isso proporcionar o mesmo prazer aos espectadores.

Os nove títulos selecionados são de autores gaúchos (ou que por aqui desenvolveram parte de suas carreiras) com trajetórias coincidentes nas artes visuais e que flertam com o cinema na construção das suas obras.

Não há um interesse puramente audiovisual nos filmes selecionados e talvez isto seja o que mais justifica a existência deles enquanto arte e, principalmente, enquanto cinema.

Pois vejamos...

Gustavo Spolidoro é Professor do Curso de Cinema da PUC/RS,
Coordenador de Curadoria do CineEsquemaNovo e,
dizem por aí, cineasta.



O festival acontece na Usina do Gasômetro, localizada nas proximidades do Lago Guaíba, com intervenções nos jardins do DMAE, dentro dos projetos ligados ao Festival, de 03 a 07 de novembro de 2010.  http://www.artemov.net/

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um filme pelo caminho, neste mesmo lugar



Atualmente, é interesse do Cine Água o resgate de imagens antigas dos arquivos pessoais em vídeo, para desenvolvimento de falsas narrativas em filmes onde as marcas do tempo podem, de certa forma, contribuir como capa que encobre uma realidade inventada.
A partir deste interesse, surgem alguns trabalhos, entre os quais “um filme pelo caminho” e “neste mesmo lugar”.

Dois amigos conversam sobre um filme enquanto fazem um. Despretensiosamente, “um filme pelo caminho”, de Dirnei Prates e Cláudio Paulo Vieira, resgata um plano seqüência realizado há alguns anos e esquecido entre outras imagens nas fitas tape do armário. Um certo saudosismo é quebrado pela música eletrônica que contextualiza imagens propositalmente desbotadas. O roteiro do vídeo é o acaso. Todas as situações ali apresentadas foram surgindo durante a caminhada, realizada pelos dois, numa ensolarada tarde de inverno em 2003.
"Um filme pelo caminho", de Dirnei Prates
O vídeo pode ser visto aqui.

Com o vídeo “neste mesmo lugar”, Nelton Pellenz faz uma referência ao momento decisivo da fotografia e, de certo modo, à Bresson, enquanto caçador de imagens. Por um percurso praieiro surgem incautos transeuntes que são “atingidos” pelo registro de uma máquina fotográfica, que dispara apenas em pessoas. O único “clic” desferido pela máquina, tal qual uma arma, é preciso e rápido. Os personagens, pretensamente imortalizados neste safári, com o decorrer do plano seqüência, tornam-se fragmentos de uma corrente feita de instantes únicos.

Os dois trabalhos foram selecionados para o Festival HTTP Vídeo 2010 do Instituto Sérgio Motta, que tinha o tema “ em trânsito”.
O júri composto por Nelson Brissac Peixoto, Ricardo Van Steen, Guilherme Kujawski, Luiz Duva e Fernando Oliva escolheu “um filme pelo caminho”, de Dirnei Prates e Cláudio Paulo Vieira e “neste mesmo lugar”, de Nelton Pellenz, para fazer parte do Festival on line.
Todos os trabalhos podem ser vistos aqui, no Prêmio Sérgio Motta.


"Neste mesmo lugar", de Nelton Pellenz
O vídeo pode ser visto aqui.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

SEU - Semana Experimental Urbana


          Torrente
           intensas intenções
      
          O Cine Água foi convidado pelos organizadores da SEU - Semana Experimetal Urbana (Camila Mello, Manuela Eichner e Rodrigo Lourenço) para organizar uma mostra de vídeos, exibida numa das noites de encontro dos artistas, na travessa dos venezianos, em Porto Alegre.
          Chamada de Torrente, a mostra contou com sete trabalhos de artistas brasileiros, que têm em comum uma certa demasia na carga emocional e poética e na forma como são abordados seus assuntos. São confissões, indagações, acertos de contas, vontades urgentes expressadas sem meias palavras.
          A partir de diferentes enfoques – do desejo íntimo e confessional até as angústias coletivas -, este recorte reflete sobre uma produção que se utiliza da objetividade no texto, aliada a imagens construídas com rigor e pertinência na busca da vazão caudalosa dos sentidos.
         Joacélio Batista, Érika Fraenkel e Dellani Lima falam do desejo levado aos últimos graus. Em ambos os trabalhos e de diferentes formas, o corpo é tratado para além do seu limite, seja no transe sugerido em “Se me queimo no fogo do desejo, porque meus olhos ardem n’água?”, de Joacélio Batista, onde um homem paira no ar enquanto se desloca, seja na batida de tradição beat, poesia & drogas, em “O amor e o desejo podem ter excesso”, de Dellani Lima ou em “Apart cisne”, onde Érika Fraenkel discursa sobre os transbordes do corpo ao comparar/incorporar um cisne.
        Os desacertos familiares e suas repercussões são assuntos dos trabalhos de Cláudia Paim e Carlos Magno. Em “Carta”, Cláudia Paim se apropria de um trecho de “carta ao pai”, de Kafka, que é recitado de forma densa e justaposto a imagens que sugerem uma atmosfera asfixiante. Carlos Magno, em “Kalashnicov”, rememora sua infância e a relação com seu pai. As expectativas, ansiedades e frustrações desta relação são trazidas à tona por ele, com grande coragem.
          O enfoque social, as tensões causadas pelas diferentes classes e o indivíduo no coletivo, são alguns dos assuntos abordados nos trabalhos de Carlos Sansolo e Daniel Lisboa. “O fim do homem cordial” discursa de forma crua sobre as relações de poder na Bahia. Tendo ACM como personagem principal da trama, Daniel Lisboa impacta ao fazer uma reflexão sobre a política baiana, a violência, a imprensa e o povo. Carlo Sansolo, em “Ozuland”, se utiliza de grafismos e linguagem eletrônica para construir questionamentos que problematizam as relações do indivíduo na sociedade, suas normas de conduta e suas regras.

        A mostra Torrente foi exibida na programação da SEU – Semana Experimental Urbana, em Porto Alegre, no dia 24 de junho, às 21 h, na Travessa Venezianos, 30.
* imagens dos trabalhos "carta" de Cláudia Paim e “Se me queimo no fogo do desejo, porque meus olhos ardem n’água?” de Joacélio Batista.

mais informações em  http://portoalegreseu.wordpress.com/

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Infiltração" premiada no IV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas

imagem do vídeo "pequeno poema em prata", de Cristiana Miranda

A cerimônia de entrega do Prêmio Açorianos de Artes Plásticas 2009 aconteceu na noite deste sábado, 8 de Maio de 2010, no Teatro Renascença. Realizado no dia do artista plástico, o evento, que está na sua 4ª Edição, premiou os destaques das artes plásticas em Porto Alegre em diversas categorias.
O júri de premiação foi constituído por Leandro Selister, Leopoldo Plentz, Paula Ramos, Renato Garcia e Tereza Poester.
A exposição Infiltração foi premiada e recebeu o troféu na categoria Mídias Tecnológicas.
O Cine Água mais uma vez agradece a todos que de alguma forma contribuiram para a concretização deste projeto.

domingo, 2 de maio de 2010

Infiltração no IV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas

A Secretaria Municipal de Cultura divulgou a relação dos indicados ao Prêmio Açorianos de Artes Plásticas 2009.
A exposição INFILTRAÇÃO, organizada pelo Cine Água, recebeu indicação na categoria Mídias Tecnológicas.
A entrega do Prêmio acontece no dia 8 de maio/2010, sábado, às 20h, no Teatro Renascença.


Imagem do vídeo "Aguinha do bem", de Pablo Paniágua

sábado, 1 de maio de 2010

Água Mole, Pedra Dura - O Livro de Pedra

A mostra fotográfica Livro de Pedra - Artistas no Caminho reúne trabalhos de 20 artistas visuais contemporâneos, que de posse de pedras modeladas e criadas pela artista Ena Lautert, foram convidados por ela a capturarem um sentido plástico para as pedras, através de cenários, percepções e olhares. A Mostra resultou também, em um livro com textos de artistas e críticos e fotos das 20 intervenções.

Foto de um dos trabalhos realizado para o livro de Ena Lautert

O ensaio "água mole, pedra dura" surgiu a partir da vontade em aproximar o trabalho das pedras de Ena Lautert com o projeto cine água. Neste ensaio, colocamos as fotografias das pedras dentro de barras e cubos de gelo, para fotografar tudo depois. O ensaio brinca com a falsa situação de dureza destas pedras, ao mesmo tempo em que procura subverter o antigo ditado.
O trabalho de Ena, pode ser visto em http://www.enalautert.com.br/

A exposição pode ser visitada no Bistrô do MARGS, junto à calçada da Praça da Alfândega, de segundas a sextas, das 11h às 21h. Sábados, domingos e feriados das 11h às 19h, até 30 de maio de 2010.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

domingo, 4 de abril de 2010

Cine Água na Galeria Lunara


A exposição Cine Água é composta por 3 trabalhos que se inserem nas premissas do coletivo: a ocupação não ortodoxa do espaço, o diálogo estreito que se estabelece entre as obras a partir de sua justaposição e a água, sempre presente como o elemento aglutinador das ideias.

A forma peculiar da galeria propicia ações/intervenções em que o espaço físico não pode ser desconsiderado. O projeto, que aglutina diferentes propostas, se utiliza desta geografia incomum como eixo que conecta, potencializa e contextualiza os trabalhos.

Abertura: 08 de abril, 19h
Visitação de 09 de abril a 9 de maio,das 9h às 21h
Galeria Lunara – 5° andar da Usina do Gasômetro.
Informações: (51) 3289-8133

http://www.galerialunara.blogspot.com/




Em “Tela Branca”, instalação concebida pelo coletivo, o áudio de trechos de diálogos que fazem referência à água e seus derivados (mar, chuva etc.), foram extraídos de diversos filmes *. A estes diálogos, enfileirados e alinhavados, são inseridos sons de chuva e água corrente, criando uma inusitada colcha sonora. O expectador, diante da tela branca, montará, a partir do fluxo de fragmentos de estórias, o seu próprio filme. Tela branca foi apresentada em formato channel na Mostra do Filme Livre/CCBB-RJ, onde foi indicada ao prêmio Filme Livre, em 2009.

* Houve uma vez dois verões – Jorge Furtado, O céu que nos protege – Bernardo Bertolucci, Feios, sujos e malvados – Ettore Scola, Trainspotting – Danny Boyle, O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante – Peter Greenaway, Volver – Pedro Almodóvar e Ladrão de sonhos – Jeunet & Caro.

Nelton Pellenz, no vídeo “ Debaixo d'água tudo é muito mais bonito” cria uma situação inusitada, própria de seu universo de deslocamentos de ponto de vista. Na cena, pássaros literalmente mergulham do céu, tendo como fundo, uma cidade aparentemente inerte. O som é um elemento importantíssimo do trabalho, uma vez que sinaliza a transposição para este lugar mais bonito. A água que está presente é apenas pressentida, imaginada, como nas trucagens do cinema e desejada como um espaço do ideal.

Em “Água doce”, Dirnei Prates apropria-se de imagens do filme “ A filha de Netuno” (de Edward Buzzel / 1947), onde Esther Willians executa um delicado balé aquático. A escolha por este trecho específico vem, talvez, da lembrança dos relatos das sessões matinés, assistidas por seus pais, no antigo Cinema Castelo. Segundo eles, a “Esther” sempre estava presente entre filmes de bang bang e super heróis. A água, neste caso, serve como o fio que conduz uma memória que passa de uma geração para outra.

domingo, 7 de março de 2010

Vinhetas Programa Estação Cultura TVE

Abaixo, mais 5 vinhetas realizadas para as chamadas do Programa Estação Cultura da TVE/RS, que vai ao ar às 19:30 h, de segunda a sexta-feira.

As vinhetas de chamada, ao contrário da vinheta de abertura, foram concebidas sem um conceito pré-definido. São intervenções feitas sobre imagens de arquivo e do cotidiano e têm duração média de 10 segundos.

A vinheta de abertura do Programa pode ser visualizada no seguinte endereço: http://www.youtube.com/cineagua?gl=BR&hl=pt#p/a/u/0/zM9dCoLUsp0